Do dia 02 de Junho a 12 de Setembro de 2012 realizamos o que chamamos de TRIP OF LIFE. Juntos, Érick Luchtemberg e Thayane Pezzi, nos aventuramos em uma viagem de 103 DIAS pela: Austrália, Nova Zelândia, Fiji, Indonésia, Tailândia, Laos, Malásia, Vietnam e Camboja. Relatamos cada momento que passamos e diversas dicas para quem futuramente deseja seguir alguns dos nossos passos.
Felizmente
consegui dormir novamente durante grande parte do voo. Era por volta das 6am
quando o avião pousou no Heatrow Airport, em Londres. Seguimos caminho rumo a
imigração, me agilizei porque a imigração de Londres é conhecida pelas suas
longas e demoradas filas. É importante prestar atenção que é necessário
preencher um formulário (Landing Card), que não foi entregue no voo e fica
disponível em bancadas onde inicia a fila da imigração. Peguei o meu e fui
preenchendo, mas muitas pessoas chegavam lá na frente e se davam conta, daí
tinham que preencher tudo, atrapalhando todo o fluxo.
Chegando
na imigração fiquei olhando os oficiais, e logo avistei uns mais simpáticos,
outros neutros e um ranzinza. Adivinha em qual eu fui cair? Nesse mesmo.
Perguntou da onde eu vinha, o que eu ia fazer e quanto tempo ia ficar. Estanhou
que eu estava vindo da Addis Ababa na Etiópia e pediu que eu mostrasse o
eticket. Pediu se o endereço que eu tinha colocado era do hotel. Expliquei que
era da acomodação, mas que era uma casa estudantil. Então pediu a carta de
comprovação e quanto eu havia pago pela acomodação e pela passagem. Expliquei
que era uma viagem a trabalho. Ele aproveitou então pra pedir se eu tinha a
carta convite das escolas que vou visitar, expliquei que apenas por email,
então ele me fez ligar o notebook. Enquanto eu ligava, pediu se era minha
primeira vez no UK e depois se era a primeira vez que eu estava saindo do
Brasil. Quando eu comentei que já tinha morado nos EUA e Austrália o semblante dele
mudou um pouco, em seguida ele viu os emails, e ainda sem simpatia nenhuma
carimbou meu passaporte e concedeu o visto por 6 meses.
Peguei
as bagagens e segui junto com as gurias de São Paulo e mais um brasileiro que
encontramos pelo caminho para o metrô, que leva o nome de Underground. Como o
aeroporto está na zona 6, não peguei o passe semanal do Oyster, apenas um
single ticket no valor de £ 5,70.
Como pegar o Underground no aeroporto? Só seguir a sinalização.
A linha que sai do Heatrow é a Piccadilly Line. Desci em Earl’s Court Station,
onde precisei mudar pra District Line. É super tranquilo de fazer as trocas,
sempre muito bem sinalizado. Mas confesso que o metrô estava lotado e em certo
momento fiquei exprimido em um canto. No caminho já deu pra ver a arquitetura
típica londrina, casas muito similares, com cores neutras, em sua maioria de
tijolo a vista.
A clássica frase do metro londrino:
“Please mind the
gap between the train and the platform. This is ______ Station.”
Cheguei
na minha estação final: East Putney. Procurei o endereço, mas não encontrava,
porque a rua Askill Drive não é bem uma rua, é apenas uma entrada. Pedindo
informações consegui encontrar o local certo. Vou ficar em uma das casas do Cortisso. Cheguei pouco
mais de 8am, e dei sorte que o André estava faltando aula e abriu a porta pra
mim.
O André é um brasileiro de São Paulo, que veio estudar junto com a esposa em
Londres. Ele vai ficar 2 meses no total e ela ficou 1 mês. Vou dividir o quarto
com ele. É super gente boa e já foi me ajudando, dando dicas e explicando um
pouco mais sobre tudo por aqui.
Logo
fui tomar um banho, que a essa altura da viagem era tudo que eu mais desejava.
Em seguida dei uma organizada nas coisas e depois trabalhei um pouco, bastante
coisa pra colocar em dia, depois de 2 dias em deslocamento.
Em
seguida conheci o italiano, o Gabriele (sim, pra nós o nome é feminino e ele
mesmo já sabe e brinca com isso), e a portuguesa, a Marisa, que moram aqui na
casa também. É um apartamento de dois andares em um bloco com 4 apartamentos,
com 6 quartos e 2 banheiros, onde cabe de 10 a 12 pessoas. No momento somos em
9, com dois italianos, uma portuguesa e os demais são brasileiros.
O quarto.
A cozinha.
O pessoal estava afim de ir almoçar em Camden Town, aproveitei pra conhecer uma
das regiões mais famosas de Londres. A ida foi de metrô (sempre!), que está
sempre bombando. É interessante ver como todo mundo usa o transporte público.
Seja pra trabalho, lazer, individualmente, famílias, a primeira opção de
transporte dentro de Londres é o metrô. Incrível mesmo é ver como tantas
linhas, com tantos cruzamentos, e sendo usando por tantas pessoas consegue
funcionar de maneira tão eficaz. Quase uma utopia.
É
importante ficar ligado! Londres tem um movimento frenético, todo mundo com
pressa, e o metrô é um reflexo dessa correria. Portanto, principalmente nas
escadas rolante, tem que ficar atento e permanecer na direita, pois a galera
com pressa vai passar voando pela esquerda. Há várias sinalizações de “Stand on
the right”, pra lembrar o pessoal desavisado.
O que mais chamou a minha atenção, além da enorme cobertura e número de linhas do Underground, foi a facilidade que é a locomoção para trocar de linhas. Além das indicações claríssimas, ao sair do trem já tem as indicações de "Way Out", pra quem deseja sair da estação, ou das demais linhas com parada na estação em questão. Basta seguir o indicado e entrar nos túneis corretos que já saem direto na linha desejada, ao final "Eastbound" e "Westbound" ou "Northbound" e "Southbound" com as próximas paradas, pra ter certeza que está pegando o trem pro lado correto.
Oyster Card e Tube Map.
Indicação que essa é uma estação de metrô (de cima) e trem (de baixo).
East Putney Station.
Indicação das próximas paradas e possíveis trocas de linhas de cada estação.
Indicação para troca de linha ou Way Out.
Não tem erro! Só seguir pelos corredores indicados.
Southbound: para as paradas a seguir. Northbound: para as paradas do lado inverso.
Eastbound: para as paradas a seguir. Westbound: para as paradas do lado inverso.
Horário dos próximos trens.
"Stand on the right".
O uso de passe errado, multa de £ 80,00.
Ainda sobre o metrô, uma dúvida frequente é quanto ao tempo de deslocamento. Onde estou ficando é divisa da Zona 2 com a Zona 3, e o tempo até a região central é de aproximadamente 40 minutos, sendo que a District Line é uma linha mais devagar, tem linhas que são mais rápidas. Em geral, 40 minutos de deslocamento para a região central é um prazo normal, considerando zonas residenciais. Para verificar como se deslocar em Londres, tempo de cada jornada, trocas de linhas, envolvendo ônibus, metrô e trem há duas alternativas:
De qualquer forma, o tempo passa de uma maneira rápida. E quem precisa de uma ajuda para se entreter, já pode aproveitar pra ficar atualizado com as notícias do país e do mundo. Logo pela manhã é distribuido gratuitamente o Metro e a tarde o Evening Standard, dois jornais com muitas noticias e comumente lido pelos londrinos durante suas idas e vindas pelo underground.
Chegamos
em Camden Town, que é um bairro alternativo, com estilos não tão usuais. Na
realidade, logo que tu chega parece um camelódromo, com muitas lojinhas de
souvenirs, roupas e etc. Mas o bairro é muito mais que isso. Superou muito as
minhas expectativas.
Um ponto legal é Camden Lock, onde tem diversas lojinhas, uma feira de arts & crafts e
galerias. Ao lado, um canal que dá um charme a essa área de Londres famosa por ser mais alternativa.
Mas o highlight de Camden Lock é uma uma feira com barraquinhas de comidas de tudo que é lugar do mundo.
É muito bacana! São tantas opções (e boas!) que fica muito difícil escolher.
Em
certo momento vimos uma banca escrito ”Churrasco”. Eu expliquei pro italiano
que é uma comida típica do meu estado, o Rio Grande do Sul. Ele então disse que
conhecia por ser uma comida típica da Argentina. Então decidimos pedir a nacionalidade
do cara da banca, pra tirar a prova real. A resposta foi: “I’m Polish!”. Ao ver
que não era essa a resposta que esperávamos, porque com certeza não é uma
comida típica da Polônia, ele emendou: “Welcome to London!”.
Eu
escolhi um wrap de falafel, que custou £ 5,00. Uma latinha de Coca-Cola foi £
1,00. Ficamos então na beira do rio, curtindo a vibe, porque é um local com um
clima bem bacana, e nos deliciando com as comidas. Outro ponto interessante é
que aquela hora, pouco mais de meio dia, muitas pessoas já emendavam grandes
copos de cerveja aos seus almoços, algo que parece ser habitual, mas não tão
comum a nós.
A gente deu mais uma volta e depois voltamos ao metrô. O Gabriele, guia da vez,
se atrapalhou um pouco e descemos na estação errada. Depois entramos no trem,
mas estávamos indo pro lado contrário. Descemos e pegamos o trem do lado certo,
O legal é que em seguida já estava tudo no prumo e na direção correta. O melhor
ainda é que com o passe do Oyster pode usar o metrô
o quanto desejar. Eu peguei o passe semanal das Zonas 1 e 2, o valor é £ 31,40
+ £ 5,00 pelo cartão.
Para
todos os passes do transporte público em Londres clique aqui.
Descemos
em St James, pra ir no escritório da Egali. O legal é que nas ruas tem pequenos
mapas, onde mostra onde estamos, a região aproximada (walking distance: 5
minutos) e a região um pouco mais ampla (walking distance: 15. Minutos). Realmente,
não tem como se perder em Londres.
Egali Londres: Suite 5.16 – 5° andar – 83 Victoria St London SW1H 0HW (+44 786 941 9093)
Dei
uma passada no escritório da Egali, onde estava o Felipe e mais alguns alunos.
Em seguida seguimos caminhando, pois é perto da região mais turística da
cidade: Westminster.
Logo
passamos pelo Parlamento Inglês, Palácio e Abadia de Westminster e Big Ben.
English Parliament.
Vista do London Eye.
Galera tumultuando a ponte em busca do melhor ângulo.
Cruzamos
a Ponte de Westminster até o London Eye.
Thames River.
A clássica.
Continuamos
caminhando pela região de South Bank, a beira do Rio Tâmisa. Que conta com
diversas atrações interessantes e agradáveis.
Fomos
pra estação de Waterloo, rumo a estação de London Bridge. Fomos em um pub
chamado Vinopolis Piazza, que é em um lugar bem bacana, meio retirado, que
conta com uma vinícola e frequentado em sua maioria por ingleses. Engraçado que
não era 5pm e já estava com um movimento muito intenso. Aliás, pub é o que não
falta em Londres, e àquela hora todos já estavam praticamente lotados.
Ficamos
assistindo Itália x Costa Rica, eu, o André e a Marisa. Mais uma surpreendente
vitória nessa Copa do Mundo, da Costa Rica! Eu comprei um copo de Coca Cola,
por £ 2,25. Uma pint (568ml) de cerveja fica na volta de £ 4,50.
Depois
do jogo fomos na London Bridge, que tem a vista pra Tower Bridge, que é a mais
bonita e famosa ponte de Londres.
Tower Bridge.
Chegando
de volta em East Putney fiquei pelo mercado, pra comprar o básico pra casa e
mais alguns condimentos. Os três mercado mais famosos de Londres são: Tesco, Sainsbury’s e o Co-operative. Aqui perto tem os dois últimos e fui no
Co-operative. Não é muito grande, mas tem o necessário e principalmente:
comidas prontas que são boas e baratas. A primeira impressão é que o custo de
vida é caro, porque sempre multiplicamos por 4. No entanto, analisando a vida
das pessoas que vivem aqui e recebem salário aqui, Londres não tem um custo de
vida tão caro assim. E pros brasileiros que vem pra cá, é necessário controlar
os gastos, mas não pode virar uma obsessão. Lembrem-se da frase: quem converte
não se diverte!
Ainda sobre dinheiro, tem dois fatos interessantes. Primeiro, sobre as notas, que são muito grandes, que quase nem cabem na carteira. Segundo, sobre as moedas, que tem de £ 0,01, £ 0,02, £ 0,05, £ 0,10, £ 0,25, £ 0,50, £ 1,00 e £ 2,00, e são muito comum o seu uso, com os trocos sempre corretos. Os centavos são chamados de pence (penny, quando singular - £ 0,01), enquanto os valores em libra são chamados de pounds.
Notas maiores que a carteira.
Chegando
em casa, foquei no trabalho, pra manter tudo em dia. Conversei com a Thay e
quando me dei conta era 10pm. Eu não fazia a mínima ideia que já era tão tarde,
porque simplesmente ainda estava claro as 10 horas da noite. Surpreendente!
Mais de 10pm e o céu ainda claro.
Em
seguida, hora de ir pra cama e ter o merecido descanso depois de 2 dias entre
aeroportos e aviões e um primeiro dia intenso em Londres.
A estratégia estava montada: dormir no primeiro voo, ficar acordado no segundo e
na escala, dormir no terceiro voo. Assim eu mais ou menos seguiria a sequência
de noite, dia, noite, pra chegar com energia logo cedo pela manhã em Londres.
Segui
então para o primeiro voo. O avião dá Ethiopian Airlines é bom, novo. É um
Boeing 787 com a sequencia de assentos 3 3 3. Eu já havia me adiantado e deixei
marcado o assento no corredor de uma das sequencias laterais, assim eu posso
esticar as pernas no corredor e não preciso ficar pedindo licença caso queira
levantar e sair do lugar. Porém os lugares da parte de trás estavam bem
tranquilos, com pouca gente, com a maioria das sequencias de três lugares com
apenas uma ou duas pessoas.
Eu
estava bem na minha estratégia, caindo de sono sem nem o avião ter decolado.
Porém fiquei esperando a decolagem e a janta pra poder dormir tranquilo, enquanto
isso fiquei conversando com um brasileiro que estava voltando pra Londres, onde
já mora há 8 anos. Na hora da janta, me dei mal! Optei por frango, que tinha um
molho com curry. Quase nem comi nada. Mas logo capotei e acordei mesmo somente
na hora do avião pousar.
Alguns
dados anotados ao longo do voo:
Altitude:
12.500 km
Velocidade:
825 km/h
Temperatura
externa: -58ºC
Foram
cerca de 7 horas de voo. Fiquei olhando pela janela a aproximação do aeroporto
de Lomé, no Togo. A curiosidade era grande sobre como seria a cidade. Muita
mata, até que a cidade começou a surgir, tímida, quase nenhum prédio.
Arquitetura arábica, com arcos na frente das casas, que não possuem pintura. Do
alto, vimos a praia, sem movimento no momento, e as ruas que se misturavam
entre asfalto e chão batido.
A
parada em Lomé era apenas pra descer os passageiros que ficavam por ali,
embarcar alguns mais e abastecer o avião. Tanto que nem saímos. Levou cerca de
uma hora. Na poltrona da janela ao meu lado havia uma guria, que estava
viajando com outra que estava sentada na sequencia da frente, elas vão passar 4
dias em Londres e depois seguem pra um estágio de medicina por um mês na
Polônia. Ficamos conversando e trocando informações e roteiros de coisas a fazer
em Londres em um curto período de tempo.
Seguimos
viagem, um voo de 5 horas.
Lanche e Refeição.
Aproveitei
para me inteirar um pouco mais sobre a Etiópia e Addis Ababa. Vi um seriado
curto sobre a cidade, que mostrou um pouco sobre a comida, tradição e também
fiquei sabendo que é onde fica a sede das Nações Unidas na África e seu nome
significa “nova flor”, é lá também que tem o museu da Lucy: uma hominídea com uma idade aproximada de 3,2 milhões de
anos. Em seguida ouvi algumas músicas típicas da Etiópia, que tem muita similaridade
com música árabe. Segue mais alguns dados interessantes sobre o país:
Cobre
uma área de 1,14 milhões de quilômetros quadrados.
Clima:
tem duas estações, a seca (Outubro a Maio) e molhada (Junho a Setembro).
No
centro e norte do país tem 25 montanhas cujo os picos podem chegar a 4.000
metros.
O
rio mais famoso do país é o Blue Nile, ou Abbay.
A
população é de aproximadamente 78 milhões de pessoas.
90%
da população vive da terra.
Os
principais produtos exportados são: café, óleo vegetal, leguminosas, flores,
vegetais, açúcar e alimentos para animais.
Possui
83 línguas e 200 dialetos. Amharic é a working language, mas Oromiffa, Tigrigna
e Guaragina também são comuns.
O
visto de turista é concedido na entrada do país ao cidadão brasileiro e mais 36
outras nacionalidades. Quando conexão de voo, permanecimento apenas na área de embarque, sem carimbo no passaporte.
Após,
comecei a me interter com filmes, seriados e games. Vi todas as opções de How I met
your mother, Friends e Two and a half man. Aproveitei e
assisti A Vida Secreta de Walter Mitty,
um filme que me identifiquei de certa maneira, pelos momentos de sonhos que
passam pela cabeça, de situações extraordinárias que podem acontecer, além da
vontade de sair e explorar tudo.
"To see the world,
things dangerous to come to, to see behind walls, to draw closer, to find each
other and to feel. That this is the purpose of LIFE."
Chegamos
em no Addis Ababa Bole International Airport, que tem um fuso horário de 6
horas a frente de Brasília. Aos poucos fomos formando uma gangue maior de
jovens brasileiros. Além das gurias do estágio na Polônia e do cara que mora em
Londres, juntou mais galera, com diferentes destinos: Israel, Bélgica, Coréia
do Sul entre outros. O aeroporto é interessante, simples, mas dá pra ter uma
noção sobre o país em si. Pelas culturas, religiões e etnias circulando pelos
corredores, os restaurantes, e os itens comercializados nas lojas. Mas logo
algo chamou a nossa atenção: senha da WiFi. Alguém conseguiu a senha da
internet da área exclusiva pra passageiros executivos, passou adiante e logo
estávamos em umas 6 pessoas quase acampadas na frente da sala pra contatar as
famílias e avisar que já tínhamos chegado por ali.
Filando uma WiFi.
Prayer Room.
Dei
mais uma volta, acompanhei o jogo da Inglaterra e Uruguai. Mais uma surpresa
nessa Copa do Mundo! Até que entrei em um Duty Free e surgiu uma cena
engraçada: eu estava comendo amendoim, daí uma das atendentes me pediu se era
chocolate, ofereci pra ela e pra umas outras 5 atendentes que estavam ali com
ela. Todas provaram um pouco. Ela pediu da onde eu era, se eu era casado e
tinha filhos, e disse que queria achar um marido bonito que nem eu. Agradeci a
gentileza dela, ofereci mais um pouco de amendoim e segui meu passeio pelo
aeroporto. Quase que arranjo um casamento pela Etiópia.
Atentos a Uruguai x Inglaterra.
Aproveitei
umas poltronas que tem por ali e tirei um cochilo um pouco mais confortável,
dentro do possível. Na realidade, quase me passei no horário, porque o voo foi
adiantado em quase uma hora. Era 1:10am quando chegou a hora de embarcar para o
último voo.
Aproveitando as poltronas do aeroporto.
Até agora, apesar da maratona de voos, tudo tranquilo. Avião bom, refeição quente em todos os voos e mais uns lanchinhos e bom atendimento. Agora, mais 8 horas pela frente!
Começa
mais uma aventura por esse mundão! Infelizmente nessa viagem perderei a minha
fiel escudeira e vou me aventurar sozinho pelo Velho Continente. Vai ser uma
novidade muito interessante, de poder conhecer pela primeira vez uma cidade que
tenho a impressão de conhecer há anos, por ser um dos principais destinos o
qual eu trabalho e envio intercambistas. Falando em trabalho, essa viagem terá
um cunho diferente, pois não será um momento de folga, e o objetivo será
justamente colocar a mão na massa. Nos próximos dias vocês vão acompanhar a
minha visita a Terra da Rainha, uma cidade muito vibrante, cosmopolita, que
envolve o antigo com o moderno, o clássico com o alternativo, a arte com o
urbano. Sigam-me para explorar Londres por 10 dias!
Porém,
a aventura começa com nós dois! Logo as 7am, quando seguimos nosso caminho rumo
a Porto Alegre. O sogro e a sogra nos deram uma carona até o Aeroporto de Porto
Alegre, onde iremos assistir o jogo da Copa do Mundo entre Austrália e Holanda.
No caminho, a parada obrigatória na Casa das Cucas, onde já sentimos uma parte
da movimentação do jogo que vai rolar logo mais, pois a metade das pessoas que estavam
por lá iam para o jogo também.
Chegamos
no Aeroporto Salgado Filho em total clima de Copa do Mundo, pois estava tomado
por estrangeiros, em sua maioria Australianos e Holandeses.Deixei as minhas malas nos armários, com
valor diário de R$ 15,00, e em seguida nos direcionamos para a parada do ônibus
com ônibus direto para o Estádio Beira Rio. Nos dias dos jogos estão operando 3
linhas diretas, saindo do Centro, PUC e Aeroporto. A tarifa é a mesma que o
passe normal: R$ 2,95.
Partiu Beira Rio!
Levamos
1 hora e meia entre o aeroporto e as imediações do estádio, um pouco de
tranqueira próximo ao centro de Porto Alegre e próximo ao Beira Rio. Descemos e
seguimos a parte que deve ser caminhando, era 11:50am. Australianos e
Holandeses, de todos os tamanhos, formas e estilos. Pintados, vestidos,
fantasiados, cabeleira, óculos e tudo mais que uma Copa do Mundo tem direito.
Mas também muitos brasileiros e outras nacionalidades. Gaúchos, gremistas e
colorados, grená e juventudistas, caminhando lado a lado, festejando juntos, de
forma pacífica e alegre.
Enquanto
caminhávamos até as proximidades do estádio aproveitei para soltar o grito
“Ozzy, Ozzy, Ozzy!”, e a resposta veio em coro, imediata, em alto e bom som: “Oi,
Oi, Oi!”. Era a torcida australiana marcando sua presença! Outro fator
engraçado era a cara dos gringos, de felicidade ao poderem comprar uma cerveja
e caminhar na rua, bebendo, no estádio, sem restrições, tudo liberado! Algo não
comum em seus países, que possuem leis mais rigorosas e não permitem bebida
alcoólica em lugares públicos.
Na hora de passar pela revista, um pouco de confusão, pois haviam diversas filas,
que se cruzavam, se misturavam e ninguém sabia se estava no lugar exato. Um
pouco falho, na nossa opinião, as marcações e informações de onde ir. Depois de
trocarmos 3 vezes de fila, finalmente entendemos como proceder e achamos uma
opção menor e mais rápida.
Seguimos
ao nosso portão, seção, fila e assentos. Realmente, em nenhum momento pediram
qualquer tipo de identificação. Qualquer outra pessoa poderia ter ido ao jogo
com os nossos ingressos.
Sou
suspeito pra falar, mas o estádio está lindo, a estrutura do Beira Rio e tudo
mais está impecável. Melhor ainda chegar e ver aquilo lotado. Predominando as
cores amarela e laranja.
Poucos
minutos passaram, os times entraram, os hinos foram cantados e antes da partida
iniciar um canto familiar aos ouvidos: “Vamo, vamo, vamo Inter!”, cantado
também pelos gringos presentes no estádio.
Foi
dada a partida. E que partida! O que todos imaginavam que ia acontecer, não
aconteceu. Surpreendentemente ao contrário. Com o apoio da torcida: “olê, olê,
olê, olê olê... ozzye, ozzyee”, a Austrália buscou o jogo, foi pra cima,
ensaiava jogadas, dava trabalho ao time holandês. Que replicava com a sua
torcida: “Holland! Holland! Holland!”.
No
entanto, um pequeno erro, bobeira da defesa e a estrela de Robben não falha.
Gol da Holanda! Cerca de um minuto depois e a estrela que brilhou foi do craque
australiano, Tim Cahill, que bucha! Empate pra Austrália.
Intervalo,
volta o segundo tempo, saída de bola pra Austrália. Jogada agressiva e Gol!
Opa, peraí, que o juiz deu falta de ataque e o gol não valeu. Mas não é pra ter
calma, poucos minutos depois e pênalti pra Austrália. É a virada!
Jogo
emocionante é assim, não para. 5 minutos depois, outra estrela brilha em campo,
Van Persienão perdoa e balança a rede! O jogo
segue equilibrado, ousadia australiana, que ousa criar mais que a Holanda e
arrisca mais, ataca mais. Mas jogo de Copa do Mundo não dá direito a bobeira, e
a Holanda não perdoa, vira novamente o jogo e emplaca o terceiro gol.
Infelizmente
tivemos que sair um pouco antes, aos 35 minutos do segundo tempo, apesar de
emocionante, deixamos a partida. Nos adiantamos, pois não posso perder o voo. Voltamos
o caminho a pé e logo encontramos uma enorme fila de ônibus, que levará aos 3
pontos acima citados. Eu seguiria pro Aeroporto e a Thay pro Mercado Público.
Porém os ônibus só sairiam em alguns minutos, após o término da partida. Sem
arriscar pegamos um taxi. O transito estava bem tranquilo, nenhum
engarrafamento. Ouvimos falar que deu protesto no centro de Porto Alegre, mas
eram apenas algumas pessoas, que logo já foi resolvido. Depois que começaram os
vandalismos, a população deixou de apoiar essas ações, que perderam suas
forças, e diria que mais que isso: perdeu seu real objetivo.
#TaTendoCopa
Chegamos
no Mercado Público e o momento ruim, a hora da despedida. Eu segui de Trensurb
para o aeroporto e a Thay ficou com a família dela. Confesso que já estávamos
acostumados a viajar juntos, viajar sozinho não vai ser tão legal. Nessa viagem
perdi a minha melhor companheira de viagem.
Enfim,
segui de Trensurb, na sequencia o Aeromóvel, até o aeroporto. Peguei as
bagagens, fiz o check-in na Gol e fui pra Fun Fest. Nessa área voltada a
torcida, com colombianos, uruguaios, holandeses, australianos, entre outros,
tinha opção de pebolim e videogame, mas a atenção estava voltada pro jogo:
Espanha e Chile. Que surpresa amigos! Final do primeiro tempo e o Chile
emplacava 2 gols a zero na Espanha.
Fiquei
conversando com um australiano de Melbourne, que me falou que veio cerca de 16
mil australianos para assistir a Copa do Mundo no Brasil. No segundo tempo fui
no Restaurante Popular, comer algo antes da sequencia de voos que me aguarda. Estômago
forrado, hora de embarcar. De olho no celular, acompanhando o resultado do
jogo. Espanha eliminada da Copa do Mundo! Quem diria. Hora de decolar.
Uma
hora e meia depois, chegada em Guarulhos. Check-in na Ethiopian Airlines. Diretamente pra área de embarque. Aeroporto
muito movimentado, gente de todo o mundo, muitas etnias, muitas línguas. Algo a
reclamar? Confesso que tudo estava fluindo, conforme o intenso movimento. De
repente a falta de pessoas que falem inglês no aeroporto, que facilitaria muito
a comunicação com a galera de fora. Demora na hora de embarcar ao passar pelo
raio-x e imigração de saída? Sim, mas já tive demora igual na Austrália e
Estados Unidos e nem era Copa do Mundo. Enfim, o serviço não foi espetacular,
mas tudo dentro dos conformes.
Partiu!
Portão número 12, voo 507 da Ethiopian Airlines. Na sequencia:
Em diversos momentos durante as nossas viagens eu
mostrei a indignação que eu sinto por aquelas pessoas que saem do voo e colam
na esteira de bagagens pra pegar as suas malas. Até mesmo registrado em vídeo: http://youtu.be/9RTRemFhgKc.
É o cumulo da burrice, ou do egoísmo! Seria muito
mais lógico se todas as pessoas ficassem de 1 a 2 metros longe da esteira,
assim todo mundo poderia observar o momento que vem a sua bagagem e se aproximar
para retirada no momento que a mala estiver próximo da pessoa. Ninguém
atrapalharia ninguém, não tapariam a visão de nenhuma outra pessoa e evitariam
o empurra empurra pra retirar as malas da esteira.
Eis que um dia um amigo (@gabirg) compartilha uma
foto no Instagram que traduz exatamente essa questão. É uma campanha do blog Turismo Backpacker (@turbackpacker)
exatamente sobre essa questão.